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O Excesso de Informação e a Estratégia na Advocacia
Escrito por Lucas Cassiano
Dom, 03 de fevereiro de 2008 00:00


Ouço muito falar em monitorar o ambiente atrás de informações úteis que possam representar oportunidades para agir e implementar projetos com sucesso. Nesse sentido, constato uma verdadeira paranóia na busca de informações por parte das pessoas interessadas em melhorar seu escritório de advocacia. Isto muitas vezes causa uma sensação de angústia em não se conseguir ler, estudar e informar-se quanto a tudo o que está acontecendo no mundo de hoje.
A fim de fazer um contraponto a esse dogma informacional de monitoramento do ambiente, cito uma passagem de Makridakis do livro Safári de Estratégia do Mintzberg, que acredito equacionar um pouco da situação informacional cada vez mais caótica que vivemos hoje:
"Crescemos numa cultura em que aceitamos determinadas afirmações como verdadeiras, embora elas possam não ser. Por exemplo, acreditamos que, quanto mais informações tivermos, mais precisas serão as decisões. As evidências empíricas não apóiam essa crença. Em vez disso, o maior número de informações simplesmente parece aumentar nossa confiança de que estamos certos, sem melhorar necessariamente a precisão de nossas decisões... Na realidade, as informações encontradas em geral são redundantes e provêm pouco valor adicional." (pág. 117)
Basicamente, o que observo é um número redundante de informações que, geralmente, não levam a lugar algum. Estamos rodeados de informativos, como as famosas newsletters, as quais ou são cópias umas das outras ou trazem tanta informação que é impossível lê-las até o final. Haja tempo e paciência para buscar informações nesse mundo de hoje. Costumo descrever a situação das pessoas como garimpadores de informações, pois, em uma analogia com a mineração de ouro, parece que é preciso de uma tonelada de rocha para conseguir algumas gramas do precioso metal dourado.
Isto significa que não devemos buscar informações? Não. Precisamos sim buscar informações, mas é preciso entender que muitas coisas são repetitivas e não representam informação estratégica para seu negócio. Muitas vezes é necessário aprofundar-se na coleta de dados de uma informação específica ao invés de querer saber tudo sobre tudo de maneira genérica, visto que um ótimo insight estratégico pode decorrer de uma informação particular e específica, tal como uma dica quente do mercado de ações. Ouvir uma fofoca verbal de um procedimento de algum concorrente ou algo do tipo parece possuir maior valor estratégico do que saber um dado geral de mercado como, por exemplo, crescimento de X% até 2010 no mercado de software.
Contudo, geralmente, existe um nível de acesso informacional equivalente entre os advogados, o que se altera é a maneira de perceber e utilizar a informação. A idéia estratégica que se possui hoje é a de que estamos buscando oportunidades em um ambiente externo, pois as informações geradoras de sucesso estariam soltas e vagando por aí para serem encontradas e aproveitadas. Isto até pode ser verdade em termos de informações específicas e privilegiadas, porém muitos sucessos estratégicos decorrem da criação de oportunidades através da interpretação de informações comuns a todos. Quantos advogados investem em uma política de relacionamento mais próxima com o cliente? Quantos advogados estão dispostos a estudar e praticar marketing jurídico? Quantos advogados pretendem realizar palestras para prospecção de novos clientes? Quantos advogados mantêm seus clientes bem informados? Essas perguntas representam estratégias para fidelizar clientes e prospectar novos. Ademais, representam informações ditas, reditas, testadas e re-testadas, porém os advogados utilizam-nas muito pouco para construir um diferencial competitivo.
Portanto, enquanto não se encontra alguma informação privilegiada, é importante trabalhar as informações comuns para criar oportunidades. Assim, o sucesso pode estar na capacidade inventiva e de mobilização do escritório para criar e implementar seus planos e projetos, com base em informações de amplo acesso à comunidade jurídica. Um grande exemplo de informações abundantes e de fácil acesso é o próprio site do MarketingLEGAL, que facilita a todos advogados, que possuem Internet, aprender sobre marketing jurídico. Porém, quantos advogados aplicam ferramentas de marketing em seus escritórios? Uma minoria.
Assim, não é preciso esperar de braços cruzados uma grande dica de mercado cair do céu dizendo onde seu escritório deve atuar e como deve fazê-lo, pois é possível criar um diferencial competitivo dentro de sua atual área de atuação baseado em marketing jurídico, dados factuais e informações que hoje estão em abundante acesso a todos os advogados. Enfim, na maioria das vezes, a diferenciação de seu escritório não está na exclusividade da informação, mas na utilização efetiva desta. Logo, informação sem ação não cria um escritório de sucesso.