CURSO DE EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA

GESTÃO ESTRATÉGICA DE DEPARTAMENTOS
JURÍDICOS E DE ESCRITÓRIOS DE ADVOCACIA

Artigos

Implementação das Estratégias Formuladas em Escritórios de Advocacia

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Quando você realiza um planejamento estratégico ou mesmo elabora um plano de marketing para seu escritório, está fazendo a parte mais fácil, ou seja, formulando uma estratégia teórica para aplicar em seu mercado jurídico de atuação.

O grande problema surge no momento da implementação na vida real daquilo que foi elaborado no plano das idéias. Basicamente, ocorre todo tipo de problemas desde o não cumprimento dos prazos fixados para as atividades programadas até a não adaptação de alguns advogados aos planos estratégicos.

Assim, para os planos de um escritório de advocacia decolarem, é preciso entender a relação entre formulação e implementação. Segundo Mintzberg essa relação ocorre da seguinte maneira (pág. 62 do livro “MBA? Não, obrigado!”):

“A formulação conecta-se com a implementação de duas maneiras básicas. Ou o “formulador” controla a implementação diretamente, como os empreendedores muitas vezes o fazem para poderem adaptar suas estratégias em andamento, ou então os “implementadores” representam um papel-chave na “formulação”, o que é comum em setores de alta tecnologia e outras situações de empreendimento de risco. Aqui, o papel do gerenciamento é menos o de formular do que o de facilitar – para encorajar as iniciativas estratégicas de outros, ouvir cuidadosamente seus resultados, e ajudar a consolidar o melhor disso em estratégias emergentes e visões coerentes. Num sentido, o gerenciamento é mais criativo na primeira abordagem, e mais generoso na segunda.”

A primeira maneira básica de implementar estratégias é por controle direto do formulador-empreendedor. Nesse caso, deve haver tanto o envolvimento do formulador-empreendedor na implementação, ao procurar realizar algumas das atividades programadas no plano estratégico ou de marketing, como a possibilidade de exercer um legítimo controle (= liderança) sobre as pessoas do escritório responsáveis por implementar o plano estratégico e o de marketing.

No segundo caso referido por Mintzberg, o gestor facilita o surgimento da estratégia por meio do estimulo e da observação das pessoas do escritório. Assim, o papel do gestor-facilitador é mais de esclarecer a estratégia do que propriamente formulá-la, contudo ele poderá melhorá-la e/ou aperfeiçoá-la. Nesse caso, eu entenderia a formação da estratégia como a observação das melhores práticas do escritório e da vocação de cada um dos advogados em sua área jurídica ou não jurídica para, posteriormente, potencializar tal vocação em favor do escritório.

O gestor-facilitador, que pode ser qualquer pessoa do escritório com perfil para tal cargo, poderá guiar o escritório de advocacia no caminho de aperfeiçoar ou de expandir alguma atividade que já se realiza ou se realizará no escritório. Assim, pode ser citado o exemplo do advogado que gosta de estudar e trabalhar com Direito Contratual. Nesse caso, o gestor-facilitador pode pensar em diversas maneiras de potencializar tal aptidão por meio de atividades de marketing, tais como palestras, livros, artigos, newsletter, blogs, etc. Logo, ao gestor-facilitador cabe guiar sua equipe em prol de suas vocações individuais e comunicar tais aptidões ao mercado através de uma correta política de marketing.

Dessa maneira, para superar problemas de implementação do planejamento estratégico e/ou do plano de marketing, pode-se pensar em duas formas de atuação: ou controle via empreendedor-formulador, situação menos comum a maioria da realidade dos escritórios, ou via gestor-facilitador que busca encontrar as estratégias emergentes da vocação dos recursos humanos do seu escritório e alinhá-las às políticas de marketing e de relacionamento.

Portanto, quando o planejamento estratégico falha ou o plano de marketing não decola é o momento de rever a programação estratégica, pois ou você não possui o controle implementativo necessários ou seu pessoal não possui o perfil adequado para realizar aquilo que foi planejado. Nesse último caso, há uma falta de criatividade formulatória que demanda adotar uma abordagem mais facilitadora, a fim de possibilitar a descoberta de novas estratégias emergentes. Estas podem se adaptar melhor ao seu escritório do que a tentativa de sempre utilizar estratégias planejadas que contrariam o perfil de sua banca de advogados. Enfim, não existem fórmulas prontas de estratégia, cabendo a cada escritório através da vivência e experiência gerencial de seus advogados buscar a melhor solução para o sucesso de seus planos estratégicos e de marketing.
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